quarta-feira, 20 de julho de 2016

A SADHANA DA CORPORIFICAÇÃO DE TODOS OS SIDDHAS

A SADHANA DA CORPORIFICAÇÃO DE TODOS OS SIDDHAS 





A SADHANA DA CORPORIFICAÇÃO DE TODOS OS SIDDHAS

Por

Chogyam Trungpa Rinpochê

(Esta sadhana foi composta por Chogyan Trungpa Rinpochê em Taktsang no Butão [nas fotos] em 1968. Foi em Taktsang que Guru Padmasambhava meditou e se manifestou como a forma irada conhecida como Dorje Trollo cerca de 900 anos atrás. A Sadhana foi completada no auspicioso dia de lua cheia de 6 de setembro de 1968. Foi traduzida para o inglês por Chogyan Trungpa Rinpochê e Kunga Dawa. [Cópia mimeografada de 7 de setembro de 1968, International Mahayana Institute, Katmandhu, Nepal])
(Tradução de Rogel Samuel, terminada em 18 de junho de 2007 da cópia mimeografada original encontrada em Kathmandu, em 1993, quando iniciamos a tradução.)


Homenagem à corporificação de todos os siddhas!

Esta é a hora negra da Era Negra, na qual as doenças, a fome e as guerras estão crescendo como o feroz vento do norte. Os Ensinamentos do Buddha têm perdido força. As várias escolas da Sangha estão lutando umas contra as outras com sectarismos sem cura, e ainda que os Ensinamentos do Buddha sejam explicados e tenha havido importantes Ensinamentos desde então de outros grandes Gurus, eles tem procurado especulação intelectual. O sagrado mantra tem sido imitado do Bom e os Iogues do Tantra perderam a percepção da meditação. Eles gastam seu tempo indo através das vilas a realizar pequenas cerimônias para ganho material.

No geral não se age de acordo com o mais alto código da disciplina, meditação e sabedoria. A jóia da percepção é enfraquecida dia a dia. O Ensinamento do Buddha é usado meramente para finalidade política e para trazer as pessoas juntas socialmente. Como resultado, as bênçãos da energia espiritual têm sido perdidas. Se os Buddhas dos três tempos e os grandes mestres fossem comentar isso, eles certamente expressariam seus desapontamentos. Assim, para habilitar indivíduos a buscar por si próprios seus socorros e renovar a força espiritual, eu escrevi esta SADHANA DA CORPORIFICAÇÃO DE TODOS OS SIDDHAS.

A Sadhana se divide em três partes.

Primeiramente, deixe a mente não contaminada pelos oito cuidados mundanos. Você deve relaxar e estar num lugar calmo, com uma boa atmosfera para descansar a mente na grande auto-existente Mandala dos fenômenos aparentes, e tomar o Refúgio.

Namo:
Terra, água, fogo e todos os elementos,
Os animados e os inanimados, as árvores e a grama e assim por diante,
Todos pertencem à natureza da equanimidade auto-existente,
Que é simplesmente o que o Grande Irado é.
Na espontânea sabedoria do Trikaya
Eu tomo refúgio com corpo, fala e mente.
Para libertar aqueles que sofreram nas mãos dos três Senhores do Materialismo
E ficaram temerosos com o fenômeno externo, que é sua própria projeção,
Eu tomo este voto em meditação.

Medite nesta grande simplicidade que está além das concepções e veja através das complexidades da dualidade, a qual imagina o fenômeno aparente e o ego como separados. A corrente subterrânea dos pensamentos com todos as suas insignificâncias, dúvidas e medos – tudo isso deve ser superado com grande segura e corajosa certeza que é o elemento transcendental da voz de Manjusri, Mikyo Dorge(ver notas). Assim nasce esta percepção. Seja decidido, saiba o que é isto, veja claramente – estes são os três tipos de confiança.

A espontânea Mandala Mahamudra está agora criada desde a sabedoria das quatro Abhisekha. Isto vai ser clarificado pelas seguintes palavras:

HUM HUM HUM
No ilimitado espaço da ipseidade,
Na disposição da grande Luz
Todos os milagres da visão, som e mente
Todas as cinco sabedorias e os cinco Buddhas
Está a Mandala que nunca é construída
Mas que é sempre completa. Isto é a Grande Bênção
Primordial e onipresente. HUM
É a ilimitada equanimidade que nunca muda
unificada num único círculo, acima das confusões.
Em seu caráter básico não existe nenhum traço
De ignorância ou de compreensão.
Nada seja o que for, mas todas as coisas nascem disso
que isso revela o espontâneo agir da Mandala.

HUM HUM HUM

Meu total ser é Dorge Trollo
E minha forma é Karma Pakshi
Minha fala é Mikyo Dorje
Com esta inabalável convicção
Corajosamente goze o Mahamudra
E atinja a experiência de Maha Ati.

HUM HUM HUM

No estado de não-meditação todos os fenômenos se depositam naquele grande cemitério no qual jazem enterradas as complexidades de Samsara e Nirvana. Este é o Universal chão de terra de todas as coisas; esta é a base da libertação e também a base da confusão. Dentro dela a Ira Vajra, a chama da morte, queima ferozmente e consome a fábrica dos pensamentos dualistas. O Rio Negro da morte, a Paixão Vajra, turbulenta com volumosas ondas, destrói a balsa da conceituação pelo rugir sonoro do imensurável vazio. O grande Vento Venenoso da Ignorância Vajra sopra com onipresente energia, como a tormenta do outono, e varre para longe todos os pensamentos de posse e ego como um monte de poeira.
Tudo o que você vir pertence à natureza desta sabedoria que transcende passado, presente e futuro. Daqui vêm os Buddhas do passado; aqui vivem os Buddhas do presente; esta é a terra primordial da qual os Buddhas do futuro virão. Este é o celestial Reino das Daquinis, o Secreto Cemitério da resplandescente montanha. Mas você não vai encontrar terra e pedra ordinária aqui, mesmo se você procurar por isso. Todas as montanhas são Buddha Sang-gye Chema, que é a toda onipresente sabedoria da equanimidade e imutável pureza. Este é o reino onde a distinção entre a experiência da meditação e da pós-meditação não mais ocorre. Neste estado intimorato, mesmo se os Buddhas dos Três Tempos se levantassem contra si, você permaneceria na indestrutível natureza Vajra. A água que flui aqui é o Buddha Mamaki, que é o Lago do Espelho da Sabedoria, clara e pura, ainda que o céu esteja dissolvido. Aqui está o Jubiloso Rio, que é a transcendente forma das oito tipos de consciência. Isto flui dentro da grande Pureza, que vai além do limpo e não-limpo.

Em várias partes deste Cemitério podem ser vistas as Terrificantes Árvores que são as Protetoras Mahakalis: Rangjung Gyelmo, Dorje Sogcruppa, Tusolma e Ekajati. Nestas árvores urubus, corvos, falcões, e águas pousam, ardendo por carne e sedentas de sangue. Eles representam o conceito de bom e mal. Enquanto você não parar de apegar-se a esses conceitos as Mahakalis vão continuamente manifestar-se como terrificantes deusas e perigosos demônios.

Vários animais rugem ao redor: tigres, leopardos, ursos, chacais, e cães, todos uivantes e correndo irritados para cima e para baixo. Eles representam os diferentes tipos de percepção. Aqui também existem estupas do Estado Iluminado da Mente, onde grandes iogues vivem. Elas representam os supernormais poderes que não precisam ser buscados.

No meio deste Reino Celestial existe uma imensa montanha de pedra, a qual nasce do cadáver do Rudra do Ego. É de forma triangular e perfura o céu. Ela é dignificante e aterrorizadora, e irradia a luz azul de Vajra-sattva. No topo desta montanha está um triângulo vermelho o qual acomoda todos os fenômenos aparentes e a totalidade da existência. Esta é a terra primordial onde a questão do Samsara e Nirvana não aparece. Isto é o início e o fim de todas as coisas. O triângulo irradia a radiante luz vermelha da cordialidade e compaixão. Acima do triângulo se encontra a bela flor, um lótus de cem pétalas, em plena floração, exalando um delicado perfume. Isto é o lótus da sabedoria da discriminação. Ali está a Lua da Grande bênção e meios hábeis. E ali está o Sol da Sabedoria e Sunyata.

HUM

A sonora voz do silêncio é ouvida. Dela aparece o Corpo de Arco-íris da Sabedoria. Ele é a união do corpo, fala e mente de todos os Buddhas. Ele é o auto-nascido Mestre, o Senhor dos Herukas, Padma Thotring, o lama cujo poder se estende sobre todos os fenômenos aparentes e sobre a totalidade da existência. Ele é Karma Pakshi, em quem está unificado a imutável mente do Guru, a sabedoria do Yidam, além do aumento e diminuição, e os Protetores – o confuso pensamento que retornou à sua nudez. Ele é de cor azul-escura, simbolizando a unidade de todas as coisas com compaixão. Ele é inseparável da pacificação e mesmo assim atua em qualquer ação necessária. Ele elimina as necessidades, destrói o que deve ser destruído e cuida de qualquer cuidado. Sua ira, destituída de raiva, é tão feroz quanto se os Três Mundos estivessem em fogo. Sua presença é opressiva. Seus Três Olhos de Sabedoria estão injetados de sangue e olham fixos para todas as direções e irradiam luz, excedendo em brilho o sol e a lua. Sua expressão é irada, e ele morde o lábio inferior. Ele tem uma barba negra triangular, brilhante e torcida em um ponto, emitindo chamas de fogo. Em sua mão direita, levantada para os céus, ele segura um Dorje de nove pontas de metal meteórico, emitindo uma chuva de chamas vermelhas, todas na forma da letra HUM. Assim ele subjuga o orgulho espiritual. Em sua mão esquerda ele segura a Phurba, também de aço meteórico, emitindo uma chuva de chamas na forma de milhares de Mahakalas. A Phurba perfura através do coração da paixão sedutora. Ele veste os três mantos de um Bhiksu, significando a realização da disciplina, meditação e sabedoria. Ele é o Originador e Mestre de todas as atividades do Buddha. Por isso ele usa a Coroa Negra, brilhante de ouro e chamejante com incessante luz, emitindo uma firme corrente de discos de luz de cinco diferentes cores, que são os cinco Buddhas. Ele está sobre uma dakini na forma de uma tigresa grávida, com sua perna direita dobrada e sua perna esquerda entendida na postura Heruka.
Mesmo pensando nele se destrói a Montanha de conceituações. Ver sua imagem seca o oceano do dualístico apego. Ele está imerso em chamas, que irradiam o intenso calor da compaixão.

No centro de sua testa está a imutável forma de Vairocana, que é Tusum Kyempa, o Rasjah Dharma dos três mundos em manto de Bhiksu, com suas mãos em postura de meditação, segurando um Dorje. Ele tem cabelos brancos e face magra, de aparência morena. Sua expressão é sábia e pacífica. Ele usa uma Coroa Negra, ornamentada com um dourado Dharmachakra que emite raios de luz. Ele está sentado de pernas cruzadas na costa de um elefante.

No centro da garganta de Karma Pakshi está Mikyo Dorje, o Senhor da Fala, a incessante voz de Amitabha. Ele é de cor laranja. Veste uma pele de tigre ao redor de sua cintura e um manto de pele humana ao redor de seus ombros. Ele porta ornamento de osso e jóias. Na sua levantada mão direita ele segura a espada de sabedoria, a qual corta a raiz da Inconsciência Universal. Em sua mão esquerda, ao nível de seu coração, ele segura o vaso que contém o tesouro do Dharma. Sua face irradia amizade. Um rápido olhar sobre ele é suficiente para abrir a porta da confiança. O pensar nele desperta a memória. Como Senhor da família Padma, ele usa a Coroa Negra, ornada com um lótus dourado irradiando a luz vermelha de Amitabha. Ele está sentado sobre um leão branco.

No centro do coração do Grande Irado está o Rei dos Tathagatas, Rangjung Dorje, a natureza Vajrasattva do infinito despertar. Ele é azul, com uma face serena e amiga, expressando o estado que transcende o limite entre meditação e não-meditação. Por um olhar em sua face a sabedoria do pensamento é transmitida. Seus três olhos contemplam o insondável espaço. Ele atingiu o mais alto estado de simplicidade e é portanto visto nu, sentado com pernas cruzadas, com as mãos em postura de meditação segurando uma caveira cheia de amrita. Ele é o Rei dos Reis e o possuidor do Indestrutível Vajra Abhisekha, e portanto usa a Coroa Negra brilhante com ouro e ornada com um Vajra. A luz azul de Samantabhadra, o Todo-Bom, brilha da Coroa, no primordial estado no qual nem a liberação nem a confusão nunca nem nasceu.

Ao redor de Karma Pakshi uma grande corte de Buddhas e a Sangha, junto com a elocução do Dharma preenche o céu. Eles estão rodeados de Dharmapalas e Dakinis. O som de HUM e AH e PHAT sacodem o céu. Isto é como se todos os instrumentos musicais do universo estivessem tocando simultaneamente. Tudo que você vir é a forma de Karma Pakshi aparecendo violentamente; tudo que você ouvir (pense) é a voz (pensamento) de Karma Pakshi deixada livre (solta). No espontâneo estado de existência onde a meditação é sem esforço, todos os movimentos são a Dança Vajra e todos os sons são a Música Vajra. Esta é a grande mandala do Guru.

Nota: desta maneira descanse a mente no Mahamudra de devoção com grande confiança e concentração unipolarizada. Sua mente deve estar livre de mesquinharias e dúvidas.

Agora se segue a súplica:

Ó Karmapa, Senhor e Conhecedor dos Três Tempos,
Ó Padmasambhava, Pai e Protetor de todos os seres,
Você transcende todo ir e vir,
Compreendendo isso, eu apelo a você
Que pense no seu único filho,
Eu sou um animal crédulo e sem socorro
Que perseguiu a miragem da dualidade.
Eu tenho sido tolo o suficiente para pensar que possuo minhas próprias projeções,
Assim, agora você, meu pai, é o único refúgio;
Apenas você pode alcançar o estado de Buddha.
A gloriosa montanha (o Reino de Guru Rinpochê) cor de cobre está em meu coração.
Não é esta pura e mente que tudo permeia nua em seu lugar de viver?
Ainda que eu viva na viscosa sujeira da Era Negra
Eu ainda aspiro ver isso.

A alegria do espontâneo despertar, que está comigo todo o tempo,
Não é a sua face sorridente, Ó Karma Padmasambhava?
Ainda que eu viva na viscosa sujeira da Era Negra
Eu ainda aspiro ver isso.

No glorioso Tagtsang, na caverna
que pode acomodar todas as coisas,
Samsara e Nirvana,
Os heréticos e bandidos da esperança e medo
são subjugados e todas as experiências
se transformam na sabedoria louca.
Não é isto que você faz, ó Dorje Trollo?
Ainda que eu viva na viscosa sujeira da Era Negra
Eu ainda aspiro ver sua face
Ainda que eu tropece na grossa, negra neblina do materialismo,
Eu ainda aspiro ver isso.

O cadáver, inchado com os oito mundanos conceitos,
é cortado em peças pela faca do desapego
e servido como um banquete da Grande Bênção.
Não é isto que você faz, ó Karma Pakshi?
Ainda que eu viva na viscosa sujeira da Era Negra
Eu ainda aspiro ver sua face.
Ainda que eu tropece na grossa, negra neblina do materialismo,
Eu ainda aspiro ver isso.

No ilimitado espaço da não-meditação
Ele que gestualiza a grande dança de Mahamudra
Coloca um fim nos pensamentos
Assim todos os atos se tornam as ações do Guru.
Não é isto que você faz, ó Tusum Kyenpa?
Ainda que eu viva na viscosa sujeira da Era Negra
Eu ainda aspiro ver sua face.
Ainda que eu tropece na grossa, negra neblina do materialismo,
Eu ainda aspiro ver isso.

Quando a corrente de pensamentos é auto-liberada
E a essência do Dharma é conhecida
São compreendidas todas as coisas
e os fenômenos aparentes
são todos registros de necessidades.
Não é isto que você faz, ó onisciente Mikyo Dorje?
Ainda que eu viva na viscosa sujeira da Era Negra
Eu ainda aspiro ver sua face.
Ainda que eu tropece na grossa, negra neblina do materialismo,
Eu ainda aspiro ver isso.

O Reino do Não-Dharma, livre de conceitos,
é descoberto dentro do coração.
Aqui não existe a hierarquia dos diferentes estágios
e a mente retorna a seu estado de nudez.
Não é isto que você faz, ó Rangjung Dorje?
Ainda que eu viva na viscosa sujeira da Era Negra
Eu ainda aspiro ver sua face.
Ainda que eu tropece na grossa, negra neblina do materialismo,
Eu ainda aspiro ver isso.

O Pai Guru, a incorporação de todos os siddhas,
é onisciente e onipresente
onde quer que você olhe seu transparente corpo lá está
e o poder de sua bênção não pode nunca diminuir
Ainda que eu viva na viscosa sujeira da Era Negra
Eu ainda aspiro ver sua face
Ainda que eu tropece na grossa, negra neblina do materialismo,
Eu ainda aspiro ver a sua face.

Vivendo como estou na Era Negra
estou chamando por você porque estou preso
nesta prisão, sem refúgio ou protetor
a Era dos três venenos amanheceu
e os três senhores do materialismo
confiscaram o poder
este é o tempo do inferno sobre a terra;
a tristeza está sempre sobre nós
e incessante depressão pesa sobre nossas mentes.

A busca por um protetor externo
não encontra com o sucesso.
A idéia de uma deidade como ser externo
decepciona-nos e nos desencaminha
contar com nossos amigos não traz nada
mais que lamento e insegurança.
Assim agora eu não tenho outro refúgio
senão você, Karma Pakshi, o Nascido no Lótus.

Pense em nós, pobres, miseráveis, infelizes,
com funda devoção e intenso desejo.
Eu suplico a você. O tempo é este
de você aparecer e fazer algo
a tradição meditativa diminui
e predomina a argumentação intelectual
estamos ébrios de orgulho espiritual
e seduzidos de paixão.

O Dharma é usado para ganho pessoal
e o rio do materialismo queima suas margens
a perspectiva materialista domina em todo lugar
e a mente é intoxicada por conceitos mundanos
sob tais circunstâncias como pode você abandonar-nos?
Este é o tempo quando seus filhos mais precisam de você
e como nenhum oferecimento material vai agradá-lo
o único oferecimento que posso fazer
é seguir o seu exemplo.

Quando o feroz e irado Pai aproximar-se
O mundo externo será visto
transparente e irreal. O raciocínio
da mente não mais pega e compreende.
Será maravilhoso chegar em seu domínio
na terra pura da Montanha Ardente
onde toda experiência é alegria
Hey, ho, feliz yogi!

Cada momento mental
torna-se bênção e vacuidade
toda polaridade desaparece
quando a mente emerge em sua nudez
esta é a Mandala na qual
os seis sentidos estão auto-liberados
vendo sua face estou jubiloso
agora dor e prazer se transformaram
num ornamento que me é agradável de vestir.

A experiência de alegria se torna devoção
e estou bêbado de bênçãos todo-penetrantes
este é o sinal da união da mente com o Guru
a totalidade da existência é livre e torna-se o Guru
quando esta bênção baixa a depressão de seu filho
é inteiramente liberada em felicidade
obrigado, grande Karmapa! obrigado Pai Padmakara!

Não há separação de Professor e Discípulo
Pai e filho são uno no reino do pensar
conceda suas bênçãos para que minha mente possa seguir o Dharma
conceda suas bênçãos para que minha prática de Dharma possa ter sucesso no caminho
conceda suas bênçãos para que seguindo o caminho a confusão seja esclarecida
conceda suas bênçãos para que a confusão se transforme em sabedoria.

Repita estes “Quatro Dharmas de Gampopa” de novo várias vezes. Deve experimentar nascer para a devoção de Mahamudra tendo total fé no Guru. Quando o sentimento de devoção ficar muito forte, então agora deve compreender que o Guru não é externo. Isto quer dizer que, quando um flash da lembrança do Guru nasce, a mente torna-se relaxada e se abre; ou, quando você relaxa em meditação, inseparável da lembrança do Guru, a correta atmosfera é criada e a mente começa a clarear-se e desnudar-se.

Algumas vezes, para deixar os desejos e apegos aparte do Caminho, você deve fazer os seguintes oferecimentos:

Para a sabedoria-louca dos Buddhas dos três tempos,
a unificada Mandala de todos os Siddhas, Dorje Trollo Karma Pakshi, eu faço esta súplica.
Desejo, ódio e os outros obstáculos são auto-liberados
Para o ilimitado corpo de arco-íris de sabedoria, Padmakara Karma Pakshi,
O universal Heruka que existe independente da crença das pessoas, eu faço esta súplica.
Tudo o que for visto com os olhos seja vividamente irreal em vacuidade, ainda que exista sua forma:
esta é a verdadeira imagem de Tusum Kyenpa, para quem eu suplico.
Tudo o que for ouvido com os ouvidos é o eco da vacuidade, ainda que real:
esta é a clara e distinta expressão de Mikyo Dorje, para quem eu suplico.
Bom e mal, feliz e infeliz, todos os pensamentos desaparecem em vacuidade, como a impressão de um pássaro no céu.
Esta é a vívida mente de Rangjung Dorje, para quem eu suplico.
O mundo animado e inanimado está na Mandala do glorioso Mahasiddha, isto não se pode mudar.
Isto permanece para sempre impressionante e colorido. Por esta Mandala agora que eu suplico.
A esperança de atingir a Budeidade e o medo de continuar vagando no Samsara
A dúvida se a sabedoria existe internamente, e outros dualísticos pensamentos que funcionam como obstáculos – tudo isso é meu banquete de oferendas.
Comida, riqueza, companhia, fama e apego sensual –
tudo isso eu ofereço para o elaborado arranjo da Mandala
As intenções, o desejo e a paixão eu ofereço como um grande oceano de sangue quem vem da matança do Samsara.
Pensamentos de raiva e ódio eu ofereço como amrita que intoxica a extrema crença e as torna inoperantes.
Tudo o que nasce internamente: pensamentos vagantes, descuidados e tudo que é matéria da ignorância,
Eu ofereço como a grande montanha da torma, ornamentada com os oito tipos de consciência.
Tudo o que nasce é mero jogo mental.
Tudo isso eu ofereço, preenchendo o inteiro universo.
ofereço sabendo que doador e receptador são o mesmo;
ofereço sem esperar nada em retorno e sem esperar ganho de mérito;
faço esses oferecimentos com a transcendental generosidade
no Mahamudra.
Agora que fiz esses oferecimentos, por favor conceda suas bênçãos para que minha mente possa seguir o Dharma;
conceda suas bênçãos para que minha prática de Dharma passa ser bem sucedida no caminho;
conceda suas bênçãos para que seguindo o Caminho a confusão seja clarificada;
conceda suas bênçãos para que a confusão se transforme em sabedoria.

Em seguida vem a especial súplica e tomada de Abhisekha. Isto foi composta pelo próprio Guru Rinpochê:

HUM HUM HUM
Na caverna de Tagtsang Sing-ge Samdrup
Aquele que subjugou as forças do mal
e enterrou tesouros nas pedras e montanhas nevadas
em vários sagrados lugares do Tibet
demonstrou compaixão para o povo da futura
Era Negra. Eu suplico a você, Dorje Trollo;
Eu suplicio a você, Padmakara.

(As Seguintes quatro linhas foram compostas por Karma Pakshi)
HUM HUM HUM
Você é o Senhor dos Yidans e Conquistador da totalidade da existência e de todos os fenômenos aparentes;
Você subjugou o vício do Imperador Mongol
e superou a energia do fogo, água, veneno, armas e forças do mal:
Eu suplico a você, Karma Pakshi.

(As Seguintes quatro linhas foram compostas por Sharmapa)
HUM HUM HUM
Você que cumpre todos os desejos
E é o Senhor do espaço descentralizado
você que brilha com uma bondosa e resplandecente luz
Eu suplicio a você, Tsurphupa.

(As Seguintes quatro linhas foram compostas pelo próprio Mikyo Dorje)
HUM HUM HUM
AH! Mikyo Dorje preenche a totalidade do espaço
HO! Ele é a alegria Vajra que emite resplandecente luz
HUM! Ele é a energia da música e o Senhor dos Mensageiros
OM! Ele é a irada ação que purifica todas as impurezas.

(As Seguintes quatro linhas foram compostas por Autor Desconhecido)
HUM HUM HUM
O Bodhissattva Rangjung Dorje
é como o descobridor da Jóia que satisfaz a todos os desejos:
Ele remove a pobreza de si e dos outros:
Ele é a fonte de tudo que é necessário
Eu suplico ao seu corpo de sabedoria.

(As Seguintes quatro linhas foram compostas por Guru Rinpochê)
HUM HUM HUM
Tudo o que ocorrer no reino da mente
(como os pensamentos dos quatro venenos)
não deve ser o guia ou ser seguido
apenas deixe isto ficar em seu verdadeiro estado
e alcance a Liberação do Dhamakaya:
Eu suplico ao Guru auto-liberado, perfeita percepção.

Cante o tríplice HUM como mantra inúmeras vezes. Então, unindo sua mente com os pensamentos do oceano de Siddhas, suas opressivas presenças e bênçãos serão sentidas em grande júbilo e vacuidade. A visualização torna-se apenas uma mistura de cores. Os deslumbrantes raios das Cinco Sabedorias são vermelho brilhante, verde escuro, azul claro, puro amarelo e brilhante branco. Eles não são estáticos, mas oscilam todo tempo e preenchem a totalidade do céu e terra. São tão brilhantes que é difícil olhar para eles. Ao mesmo tempo você pode ver uma chuva de amrita e de flores multicoloridas e você perde o definido conceito de “aqui” e “lá” e fica atordoado. Agora você se torna o Senhor do reino do Trikaya e recebe a simples e definitiva Abhisekha. Você se torna uno com o corpo, fala e mente dos Siddhas.

A seguir recite os versos (compostos por Mikyo Dorje):

HUM HUM HUM
Quando o precioso Guru se aproxima
A totalidade do espaço fica cheia de arco-íris e raios de luz.
Ele envia para toda a parte suas emanações e mensageiros
E rugidoras chamas de bênçãos se disparam pelo céu.
Várias experiências de meditação e flashes de instantânea compreensão ocorrem.
Oh, o Grande Guru!
Eu sigo seu exemplo, por favor se aproxime e conceda suas bênçãos.
Abençoe este lugar!
Conceda-nos as quatro Abhisekhas
e clarifique todos obstáculos.
Conceda-nos os siddhis últimos e relativos.
HUM HUM HUM
HUM HUM HUM
Na Mandala de Mahamudra
Brilha o luar, puro e todo-penetrante.
Todo fenômeno aparente é um jogo mental
Todas as qualidades estão completamente dentro da mente
Eu, o iogue, sou destemido e livre de ocupações.
Esperanças e medos de atingir e abster-se são inutilidades.
Eu desperto dentro da sabedoria com a qual nasci
e a energia da compaixão nasce sem pretensões.
Hey, ho, o espontaneamente existente Rishi!
O Sidda desfruta de si mesmo com grande simplicidade.
AH AH AH

Para terminar, aqui estão os auspiciosos versos finais; assim termine cantando alegremente esses versos:
As chamas da sabedoria expelem brilhante luz:
Possa a bondade de Dorje Trollo estar presente!
Karma Pakkshi, Senhor do Mantra, Rei da Percepção –
Possa a sua bondade, também, estar presente!
Tusum Kyenpa, o Buddha Primordial
Acima de parcialidade - Possa a sua bondade estar presente!
Mikyo Dorje, Senhor da Ilimitada Fala –
Possa a sua bondade estar presente!
Rangjung Dorje, único olho de sabedoria sem falta –
Possa a sua bondade estar presente!
O Guru Kagyu, a luz de cuja sabedoria é a tocha
para todos os seres - Possa a sua bondade estar presente!
O oceano de Yidans que satisfazem os desejos e executam todas as ações –
Possa a sua bondade estar presente!
Os Protetores que plantaram firmemente a vitoriosa bandeira
de Dharma - Possa a sua bondade estar presente!
Possa a bondade da grande Mandala da Mente Mahamudra estar presente!

Depois de praticar esta Sadhana desfrute da presença do Guru e da energia de compaixão e devoção.

É esperado que esta Sadhana seja praticada por aqueles que estiverem preparados para ver a vívida face do Dharma dentro dela. A Sadhana vai ajudar a purificar o presente estado de degeneração filosófica e de prática meditativa. Vai auxiliar a trazer paz na promoção de guerra do materialismo.

Na gruta da Montanha de cobre
a mandala criada pelo Guru
as bênção de Padma entraram em meu coração
eu sou o jovem homem tibetano!
Vejo o amanhecer de Mahamudra
e desperto na verdadeira devoção:
A sorridente face do Guru está sempre presente
sobre a Dakini tigresa grávida
acontece a dança da sabedoria enlouquecida
de Karma Pakshi Padmasambhava
proferindo o sagrado som de HUM
sua torrente de raios de energia é impressionante.
O dorje e phurba são as armas de autoliberação:
com penetrante exatidão eles cortam
através do coração do orgulho espiritual.
As nossas faltas são assim expostas
que nenhuma máscara possa esconder o Ego
e não se pode mais esconder
o não-Dharma que Dharma pretende ser.
Através de todas as vidas que eu possa continuar
a ser o Mensageiro do Dharma
e ouvir a canção do Rei dos Yanas.
Que eu possa levar a vida Bodhisattva.

RESUMO DAS NOTAS

A prática da Sadhana: Todas as partes da Sadhana escritas em versos e o trecho “No estado de não-meditação... [até] Esta é a grande mandala do Guru” devem ser proferidas em voz alta. Essas passagens podem também ser cantadas.
Há uma meditação silenciosa sem forma depois da terceira repetição de “NAMO” ["Eu tomo este voto em meditação"].
Depois de cantar o tríplice HUM, você continua cantando silenciosamente o mantra por algum tempo.
DORJE TROLLO – aspecto irado de Guru Rinpochê.
KARMA PAKSHI –Segundo Karmapa,
TUSUM KYENPA – Quinto Karmapa.
MIKYO DORJE – Oitavo Karmapa.
RANGJUNG DORJE – Terceiro Karmapa.
(Esta sadhana foi composta por Chogyan Trungpa Rinpochê em Taktsang no Butão [nas fotos] em 1968. Foi em Taktsang que Guru Padmasambhava meditou e se manifestou como a forma irada conhecida como Dorje Trollo cerca de 900 anos atrás. A Sadhana foi completada no auspicioso dia de lua cheia de 6 de setembro de 1968. Foi traduzida para o inglês por Chogyan Trungpa Rinpochê e Kunga Dawa. [Cópia mimeografada original de 7 de setembro de 1968, International Mahayana Institute, Katmandhu, Nepal]) (Tradução de Rogel Samuel, terminada em 18 de junho de 2007 da cópia mimeografada original encontrada em Kathmandu, em 1993, quando iniciamos a tradução.)


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